
Nasci a 28 de Abril de 1979, em Viana do Castelo. Ainda com meses, os meus pais mudaram-se para Braga, onde vivi até aos quatro anos. Viemos então viver para Darque, onde aos seis, entrei para a Escola Básica nº2 da Senhora das Oliveiras. Algures durante a instrução primária, mudámos para o então nº 130 da Rua C, hoje nº 148 da Rua da Magnólia, onde ainda vivem os meus pais, e eu com eles. Frequentei os 5º e 6º anos de escolaridade na Escola Preparatória Frei Bartolomeu dos Mártires, em Viana do Castelo. No ano seguinte, ingressei na Escola C+S de Darque, onde fiz os 7º, 8º e 9º anos de escolaridade. Durante este período, fui também jogador de futebol federado, nas camadas jovens da Associação Desportiva Darquense. De resto, fiz a formação regular até ao escalão Júnior, altura em que abandonei a modalidade em favor de outra bem mais estúpida e nefasta, ainda que muito mais na moda... Comecei a fumar com dezasseis anos, quando já frequentava o 10º Ano de escolaridade, na Escola Secundária de Monserrate, em Viana do Castelo, e infelizmente para os meus pulmões e carteiras (fui tendo algumas diferentes desde então), ainda não me decidi a deixar definitivamente. Tenho muito respeito pelo tabaco e como tal, considero-o mesmo a pior das drogas. Talvez por isso, reserve um lugar especial para o acto de fumar no meu coração, e dou-lhe mesmo a honra de ser o meu derradeiro vício, que espero, naturalmente, um dia, vencer.
Pelos dias do meu ensino secundário, pensava ser advogado, até porque descobri que ficava muito bem dizê-lo. Hoje, acho que nunca acreditei realmente que o seria... Trabalhei durante esses três anos, no Foz Café e no Aquário Bar, da Praia do Cabedelo, em Darque, precisamente no apogeu destas casas. Orgulho-me q.b. de ter começado a trabalhar aos dezasseis anos por iniciativa própria, sem outra razão para isso para além da minha eterna ânsia por liberdade e independência. De tal forma, que rapidamente se me meteu na cabeça juntar o dinheiro suficiente para comprar uma mota. Foi notável a intransigência do meu pai, que conseguiu demover-me de o fazer, ainda que o dinheiro fosse meu. Hoje, só lhe posso agradecer, até porque esse dinheiro, guardado numa conta até depois dos meus dezoito anos, me foi bem mais útil então do que teria sido na altura.
Tinha dezassete anos e estava no 11º ano, quando aconteceu o facto mais determinante da minha vida, até agora.
Casualmente, sem procurar, sem aviso nem preparação prévias, tropecei em algo em que nunca tinha reparado e que nunca sequer compreendera. Nunca ninguém mo havia mostrado nem despertado o meu interesse para tal. E não, não falo do Amor, até porque esse, eu achava que já conhecia. Como muitas outras coisas na vida, só mais tarde me chegou em toda a sua força e beleza. Falava sim, e falo, do Teatro! Com dezassete anos, borbulhas e complexos por ser magro, em Viana do Castelo, um rapaz descobre que existe uma arte à qual umas pessoas (algumas, poucas, nem todas, mais aquelas que parecem ligar pouco a ser doutor e às vaidades materiais) se dedicam, ou a tempo inteiro, ou a meio tempo, ou ainda como passatempo, mas todas, sem excepção, com um grande amor e devoção, ou pelo menos, com uma mão cheia de sonhos e mundos por realizar.
Durante os meses seguintes, dediquei-me e fui-me dedicando, cada vez menos a brincar e mais a sonhar, a essa arte para a qual tinha despertado, e numa noite de maio de 1996, soube, quando pisei pela primeira vez o palco do Meu teatro, o Sá de Miranda, num sarau cultural da escola, que era ali, no calor e na luz, no precipício e na vertigem, entre o medo e a coragem, até que a cortina se feche e faça de mortalha à noite, que eu queria passar a estar; sempre; e para sempre... Ámen! Desde então tudo foi evoluindo, não sem percalços nem acidentes de percurso, a um ritmo mais ou menos constante e sempre com o mesmo objectivo em pano de fundo, num ciclo crescente de dedicação, responsabilidade e sucesso (este relativo, não o sucesso das parangonas mas sim o meu, muito pessoal e privado e do qual me orgulho.)
Pelo meio ficaram uma ida para a universidade, para um curso de relações públicas de que até gostava, mas que só poderia realmente preencher-me se eu vivesse outra vida que não esta. Talvez para a próxima... Ainda antes, já tinha tentado entrar no Conservatório Nacional, para o curso de Teatro. Não consegui e na altura quase desisti, por me achar diminuído por essa frustração e também pela falta de perspectivas na área. Tive a sorte de perseverar e de já então trabalhar com pessoas que acreditavam em mim o suficiente para me permitirem continuar a aprender e a fazer Teatro.
Com a minha não ida para o Conservatório, aprendi que não é actor quem quer, mas sim quem é e se sente actor e isso, ninguém pode dizer por nós. É preciso dizê-lo de nós para connosco mesmos.
Neste percurso pelo Teatro, que é também o da minha vida, tenho tido muita sorte. Acho que também fiz e continuo a fazer por isso. Continuo a querer hoje o mesmo que me propus atingir quando comecei e não me posso queixar senão do que não fiz ou quis arriscar: viver do e para o teatro, sobreviver e sustentar-me através dele; tudo o que vier para além disso, será lucro.
Ilustro isto com uma citação da personagem Nina, d´"A Gaivota", de Tchekov: "Quando estou no palco, sinto-me inebriada de alegria. (...) percebi que no nosso trabalho -e tanto faz estar no palco como escrever- o importante não é ter êxito, nem tão pouco glória, nem nada do que eu sonhava- o importante é conseguir aguentar. Saber levar a cruz, e ter fé. Quando penso na minha profissão, já não tenho medo da vida."
Sou este de que vos falo e este é o meu blogue. Nele falarei obviamente de mim, do Teatro que vejo e que faço e daquilo que me move, apaixona, revolta ou repugna.
Espero que gostem.















