Que nervos, merda! Que nervos!
Sinto-os num estribilho, logo abaixo da minha pele.
O sangue ferve-me nas veias, disparado e borbulhante.
Ai a mola a disparar certeira!
Os jactos circulantes a revolverem-me os olhos.
Os dentes a apertar na mandíbula encravada.
Os passos curtos e atirados, enviezando a trajectória.
O desassossego galopante do meu corpo feito bala!
A cara apenas à frente, como rude camuflagem...
Como é triste, áspera e crua esta inquietação!
Como frustra e desorienta!
Como desespera e arrebenta toda a minha objectivação!
Como? Como? Como? Omo? Omo? Omo? Amo! Amo! Amo! Clamo! Clamo! Clamo! Exclamo! Exclamo! Exclamo! Reclamo! Reclamo! Reclamo! Declamo! Declamo! Declamo! Derramo! Derramo! Derramo! Desamo. Desamo. Desamo. Desarmo! Desarmo! Desarmo! Desisto... Desisto... Desisto... Resisto! Resisto! Resisto!
Luto!
Venço!
Vingo!
(Vão).
Caio.
Morro.
Esqueço.
Não.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
A (In)Felicidade
É não fazer com que alguém se sinta mal.
É não destruir um sorriso com a bílis.
É não ser um verme de existência sem sentido.
É não se alimentar da energia do Homem.
É não agredir.
É não pisar.
É não desrespeitar.
É não magoar.
É não ser um filho da puta.
É um princípio e não um fim.
É não destruir um sorriso com a bílis.
É não ser um verme de existência sem sentido.
É não se alimentar da energia do Homem.
É não agredir.
É não pisar.
É não desrespeitar.
É não magoar.
É não ser um filho da puta.
É um princípio e não um fim.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Sonho Vão
Esmaga-me alguém as costas com pisadelas medonhas
Pontapeiam-me as costelas até
Cuspir sangue
Desmaio e
Vou parar ao hospital onde
Acordo já de pé
Dou um murro estilhaçante no chefe descoroçoado e
Respiro pesado como um pesado saco de areia a ribombar por coração
Apertam-me os pulmões e
Obrigam-me a gemer
Agito-me desconfortado e a
Rebentar de arreliação
Mergulho de novo no vácuo para
Escapar
Voo para o fundo negro amniótico da inusitada ilusão
Voo escarpa abaixo mente acima - consciência - sonho vão.
Pontapeiam-me as costelas até
Cuspir sangue
Desmaio e
Vou parar ao hospital onde
Acordo já de pé
Dou um murro estilhaçante no chefe descoroçoado e
Respiro pesado como um pesado saco de areia a ribombar por coração
Apertam-me os pulmões e
Obrigam-me a gemer
Agito-me desconfortado e a
Rebentar de arreliação
Mergulho de novo no vácuo para
Escapar
Voo para o fundo negro amniótico da inusitada ilusão
Voo escarpa abaixo mente acima - consciência - sonho vão.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Teatricalikaze
A luz acende sobre a cortina e todos se calam.
A música irrompe invadindo a sala.
Um ser pequenino espreita timidamente...
Tudo explode para cima do público, numa onda de energia que vaga a sala inteira, bate no fundo e volta para trás!
Lá em cima, o pequenino artista, "surfa" as cabeças dos espectadores, agora transformado num demónio invencível. Salta, canta, dança e faz o pino, urrando palavras e gargalhadas estridentes!
Devora e hipnotiza o ambiente. Destemido e confiante, parece um domador de leões!
Com as feras em sentido, manobra a sua arte e faz passar a todos, a sua mensagem.
Termina o seu número.
Retira-se lentamente do palco, depois de voltar as costas ao público, como o toureiro faz ao touro domado...
Ao ritmo dos seus passos marcados, a música, a luz, a máquina, desvanecem-se, parecendo querer segui-lo em silêncio. - Para onde irá, depois que volta à escuridão dos bastidores? A que cheirarão os buracos nas telhas e as marcas de humidade nas paredes? -
A cortina cai, e os leões, terminada a hipnose, voltam à vida, rugindo agora como se calhar, nunca.
De novo pequenino, reaparece aquele ser tímido e vulnerável.
Aproxima-se da ribalta e dos leões que rejubilam, ávidos por um pedaço da sua carne.
Ele, sem saber porquê, esboça um sorriso, e agradece...
A música irrompe invadindo a sala.
Um ser pequenino espreita timidamente...
Tudo explode para cima do público, numa onda de energia que vaga a sala inteira, bate no fundo e volta para trás!
Lá em cima, o pequenino artista, "surfa" as cabeças dos espectadores, agora transformado num demónio invencível. Salta, canta, dança e faz o pino, urrando palavras e gargalhadas estridentes!
Devora e hipnotiza o ambiente. Destemido e confiante, parece um domador de leões!
Com as feras em sentido, manobra a sua arte e faz passar a todos, a sua mensagem.
Termina o seu número.
Retira-se lentamente do palco, depois de voltar as costas ao público, como o toureiro faz ao touro domado...
Ao ritmo dos seus passos marcados, a música, a luz, a máquina, desvanecem-se, parecendo querer segui-lo em silêncio. - Para onde irá, depois que volta à escuridão dos bastidores? A que cheirarão os buracos nas telhas e as marcas de humidade nas paredes? -
A cortina cai, e os leões, terminada a hipnose, voltam à vida, rugindo agora como se calhar, nunca.
De novo pequenino, reaparece aquele ser tímido e vulnerável.
Aproxima-se da ribalta e dos leões que rejubilam, ávidos por um pedaço da sua carne.
Ele, sem saber porquê, esboça um sorriso, e agradece...
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