sábado, 31 de janeiro de 2009

Título? ou noite púrpura

Anda
Eleva bem o meu pé e ajuda-me.
Quero hastear lá no alto
as palmas das minhas mãos.

Mergulha-me a cabeça no céu
enquanto agarro as estrelas cortantes.
Quero a chuva a passar-me ao lado
e o vento com o seu beijo mais frio.

É que esta noite quero voar.
Tenho saudades de Saturno
e das crateras sem fundo
que provocaram os seus anéis.

Esta noite não estou cá.
Esta noite é que estou cá.
Ó António Pedro! Quem foste tu?
Ninguém?..

Pescadores de estrelas!
Arpoadores de sonhos!
Degustadores de luz!

Vós sois comigo
as almas inacabadas do fim do mundo
que penduradas em coisa nenhuma
vamos buscando um fim.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sonho Ido ou a diletante comiseração

Não tenho tempo para a poesia.
O prazo termina em um dia
e eu, estou demasiado ocupado
a ocupar-me mais um bocado.

Estou-me tornando indistinto.
É quanto pelo menos sinto
no plexo dolente e enigmático:
que estou degenerando em pragmático.

Olhos quedos, baças luzes, lampejos
somente restam dos harpejos
que troei como ninguém.
O mais, vai e vem.

O devir, próximo passado,
reserva lento e indecifrado
a quota parte de Lua e de Sol.
O presente é que é esta coisa mole.

Esta coisa ensonada de roupão e chinelo...
Ah melancolia do Belo!..
Volta!, e contigo os beijos mordidos traz
Arranca e some de mim todalas cousas más!

Guia-me contigo no braço,
recolhe-me em teu regaço,
faz das minhas, queixas idas
e das más horas, horas queridas.

Fica no meu sorriso.
Sorri sem temor nem aviso.
Ama, amor esquecido
e (re)sonha-nos, sonho ido...