domingo, 18 de janeiro de 2009

Sonho Ido ou a diletante comiseração

Não tenho tempo para a poesia.
O prazo termina em um dia
e eu, estou demasiado ocupado
a ocupar-me mais um bocado.

Estou-me tornando indistinto.
É quanto pelo menos sinto
no plexo dolente e enigmático:
que estou degenerando em pragmático.

Olhos quedos, baças luzes, lampejos
somente restam dos harpejos
que troei como ninguém.
O mais, vai e vem.

O devir, próximo passado,
reserva lento e indecifrado
a quota parte de Lua e de Sol.
O presente é que é esta coisa mole.

Esta coisa ensonada de roupão e chinelo...
Ah melancolia do Belo!..
Volta!, e contigo os beijos mordidos traz
Arranca e some de mim todalas cousas más!

Guia-me contigo no braço,
recolhe-me em teu regaço,
faz das minhas, queixas idas
e das más horas, horas queridas.

Fica no meu sorriso.
Sorri sem temor nem aviso.
Ama, amor esquecido
e (re)sonha-nos, sonho ido...

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