Quanto há no mundo do trabalho de puro e de bom, sem implacáveis invejas nem inconfessáveis vontades?
Quanto há nas coisas do ter e do poder, de realmente justo?
Ou quanto do sucesso de cada um se deve ao mérito?
E quanto não se deve?
E o que é que sobeja daí?
O que é que pensa aquele que sobe?
- Que merece ou que quer somente?
E aquele que cai?
Será que pensa ou apenas sente?
Será que se levanta?
-A queda pensa-se ou sente-se?-
Ao que parece, nada de tudo isto importa. E sendo tudo isso parte de todos nós, então nada de todos nós importa, porque nada ou nenhum de nós se parece importar com algo ou algum de nós, nós apenas e só nos parecemos importar com nós mesmos. E nada mais.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
De Luar Vestido
Meu amor, porque não ris?
Porque pões em causa todo o meu acto?
Sabes que fazer rir não é como se diz
e também... Não é meu o fato.
Oh minha flor, porque estás triste?
- Porque não sei fazer de Lua?...
Saio já de braços em riste
e vou comprar uma na rua!
Não queres? - Sou pateta?!
Oh pesarosa constatação!
Se não posso ser poeta
de quem me tem o coração!...
Por ti, entregaria o que fosse preciso:
Até os luares da minha meninice!
Pelos teus risos daria o juízo
e por teus lábios quanto conseguisse!
Eu sei que o luar não se vende...
E nem tendo eu a Lua por prima...
Fugiu do céu mas decerto se arrepende
de te ver triste e olhando para cima...
Oh Lua, se tens coragem!
Vem cá fazer sorrir a minha menina!
E toma lá a tua inútil roupagem
que me emprestaste para a pantomima!
Porque pões em causa todo o meu acto?
Sabes que fazer rir não é como se diz
e também... Não é meu o fato.
Oh minha flor, porque estás triste?
- Porque não sei fazer de Lua?...
Saio já de braços em riste
e vou comprar uma na rua!
Não queres? - Sou pateta?!
Oh pesarosa constatação!
Se não posso ser poeta
de quem me tem o coração!...
Por ti, entregaria o que fosse preciso:
Até os luares da minha meninice!
Pelos teus risos daria o juízo
e por teus lábios quanto conseguisse!
Eu sei que o luar não se vende...
E nem tendo eu a Lua por prima...
Fugiu do céu mas decerto se arrepende
de te ver triste e olhando para cima...
Oh Lua, se tens coragem!
Vem cá fazer sorrir a minha menina!
E toma lá a tua inútil roupagem
que me emprestaste para a pantomima!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Dos Sonhos Idos
Apanharam-te.
E encerraram o teu passo de miúdo no castelo das pedras gotejantes.
Mataram-te.
E à míngua de sonho, amor e fé, te deixaram esquecido, onde nunca estiveras antes.
Passaram-te a mão na nuca e afagaram a tua já cadáver vontade.
Disseram-te que não importa, que aprenderias com a idade.
Aturaram a tua revolta e puseram-te compressas na dor.
Alguém te ofereceu uma flor...
Tudo calmamente,
tudo irrealmente,
tudo perfeitamente, como se tu nada visses!
Tudo vomitadamente, como se tu não sentisses a raiva a gangrenar-te o peito!
- Quem me acode, que eu vou fazer uma desgraça!?
(Quem me sustenta, que eu vou fazer uma tolice?!) -
Esbarraste, em cima da cama em que caíste,
com a perfeita máscara cinzenta que lá te estenderam...
Tens os ossos frios agora,
tens a alma fria e de fora,
tens nas mãos o coração que te chora
e por dentro a carne que não sentes...
Vestes a pele que te deixaram.
E caminhas em direcção ao escritório do mundo.
Quase consegues cheirar a imortalidade ao fundo...
Mas não.
É só a tua cara que se enche de suor,
é só o apertar dos punhos que te estala os dedos.
São-te só os pés a caminhar para trás
e os olhos estacando-te quedos.
E encerraram o teu passo de miúdo no castelo das pedras gotejantes.
Mataram-te.
E à míngua de sonho, amor e fé, te deixaram esquecido, onde nunca estiveras antes.
Passaram-te a mão na nuca e afagaram a tua já cadáver vontade.
Disseram-te que não importa, que aprenderias com a idade.
Aturaram a tua revolta e puseram-te compressas na dor.
Alguém te ofereceu uma flor...
Tudo calmamente,
tudo irrealmente,
tudo perfeitamente, como se tu nada visses!
Tudo vomitadamente, como se tu não sentisses a raiva a gangrenar-te o peito!
- Quem me acode, que eu vou fazer uma desgraça!?
(Quem me sustenta, que eu vou fazer uma tolice?!) -
Esbarraste, em cima da cama em que caíste,
com a perfeita máscara cinzenta que lá te estenderam...
Tens os ossos frios agora,
tens a alma fria e de fora,
tens nas mãos o coração que te chora
e por dentro a carne que não sentes...
Vestes a pele que te deixaram.
E caminhas em direcção ao escritório do mundo.
Quase consegues cheirar a imortalidade ao fundo...
Mas não.
É só a tua cara que se enche de suor,
é só o apertar dos punhos que te estala os dedos.
São-te só os pés a caminhar para trás
e os olhos estacando-te quedos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Vós Os Que Rastejais:
Fazei-vos úteis.
Tornai-vos homens e mulheres.
Tende vergonha na cara.
E desaparecei...
Porque esta moral é minha.
Porque este chorar é meu.
Porque dizer assim não vinha,
se fosse vós e não eu.
Tornai-vos homens e mulheres.
Tende vergonha na cara.
E desaparecei...
Porque esta moral é minha.
Porque este chorar é meu.
Porque dizer assim não vinha,
se fosse vós e não eu.
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