A luz acende sobre a cortina e todos se calam.
A música irrompe invadindo a sala.
Um ser pequenino espreita timidamente...
Tudo explode para cima do público, numa onda de energia que vaga a sala inteira, bate no fundo e volta para trás!
Lá em cima, o pequenino artista, "surfa" as cabeças dos espectadores, agora transformado num demónio invencível. Salta, canta, dança e faz o pino, urrando palavras e gargalhadas estridentes!
Devora e hipnotiza o ambiente. Destemido e confiante, parece um domador de leões!
Com as feras em sentido, manobra a sua arte e faz passar a todos, a sua mensagem.
Termina o seu número.
Retira-se lentamente do palco, depois de voltar as costas ao público, como o toureiro faz ao touro domado...
Ao ritmo dos seus passos marcados, a música, a luz, a máquina, desvanecem-se, parecendo querer segui-lo em silêncio. - Para onde irá, depois que volta à escuridão dos bastidores? A que cheirarão os buracos nas telhas e as marcas de humidade nas paredes? -
A cortina cai, e os leões, terminada a hipnose, voltam à vida, rugindo agora como se calhar, nunca.
De novo pequenino, reaparece aquele ser tímido e vulnerável.
Aproxima-se da ribalta e dos leões que rejubilam, ávidos por um pedaço da sua carne.
Ele, sem saber porquê, esboça um sorriso, e agradece...
Sem comentários:
Enviar um comentário