quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Vais

por onde vais
dolente e insensato
perdendo todo o tino
dando ao desbarato
quanto há de mais
dourado e cristalino?

para que chão te arrastas
até à escada do negrume
onde as filas de congregados
carregam pastas
de dor, asco e ciúme
que trazem dos passados?

para que lodo cais
quando tudo em ti se esboroa
e o vento te espalha pelos chãos
das horas de milhões de pais
procurando príncipes de coroa
amassada pendendo das mãos?

por onde sentes
quando choras desalentado
pelo ventre que te fez parir
as vezes que mentes
conscientemente idiotizado
pela volúpia que te faz rir?

amargo ser
desdenhoso cão
tuas entranhas te mordem
cada amanhecer
poderás tu ainda ou não
da mais pútrida desordem
EMERGIR?




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