Meu amor, porque não ris?
Porque pões em causa todo o meu acto?
Sabes que fazer rir não é como se diz
e também... Não é meu o fato.
Oh minha flor, porque estás triste?
- Porque não sei fazer de Lua?...
Saio já de braços em riste
e vou comprar uma na rua!
Não queres? - Sou pateta?!
Oh pesarosa constatação!
Se não posso ser poeta
de quem me tem o coração!...
Por ti, entregaria o que fosse preciso:
Até os luares da minha meninice!
Pelos teus risos daria o juízo
e por teus lábios quanto conseguisse!
Eu sei que o luar não se vende...
E nem tendo eu a Lua por prima...
Fugiu do céu mas decerto se arrepende
de te ver triste e olhando para cima...
Oh Lua, se tens coragem!
Vem cá fazer sorrir a minha menina!
E toma lá a tua inútil roupagem
que me emprestaste para a pantomima!
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Dos Sonhos Idos
Apanharam-te.
E encerraram o teu passo de miúdo no castelo das pedras gotejantes.
Mataram-te.
E à míngua de sonho, amor e fé, te deixaram esquecido, onde nunca estiveras antes.
Passaram-te a mão na nuca e afagaram a tua já cadáver vontade.
Disseram-te que não importa, que aprenderias com a idade.
Aturaram a tua revolta e puseram-te compressas na dor.
Alguém te ofereceu uma flor...
Tudo calmamente,
tudo irrealmente,
tudo perfeitamente, como se tu nada visses!
Tudo vomitadamente, como se tu não sentisses a raiva a gangrenar-te o peito!
- Quem me acode, que eu vou fazer uma desgraça!?
(Quem me sustenta, que eu vou fazer uma tolice?!) -
Esbarraste, em cima da cama em que caíste,
com a perfeita máscara cinzenta que lá te estenderam...
Tens os ossos frios agora,
tens a alma fria e de fora,
tens nas mãos o coração que te chora
e por dentro a carne que não sentes...
Vestes a pele que te deixaram.
E caminhas em direcção ao escritório do mundo.
Quase consegues cheirar a imortalidade ao fundo...
Mas não.
É só a tua cara que se enche de suor,
é só o apertar dos punhos que te estala os dedos.
São-te só os pés a caminhar para trás
e os olhos estacando-te quedos.
E encerraram o teu passo de miúdo no castelo das pedras gotejantes.
Mataram-te.
E à míngua de sonho, amor e fé, te deixaram esquecido, onde nunca estiveras antes.
Passaram-te a mão na nuca e afagaram a tua já cadáver vontade.
Disseram-te que não importa, que aprenderias com a idade.
Aturaram a tua revolta e puseram-te compressas na dor.
Alguém te ofereceu uma flor...
Tudo calmamente,
tudo irrealmente,
tudo perfeitamente, como se tu nada visses!
Tudo vomitadamente, como se tu não sentisses a raiva a gangrenar-te o peito!
- Quem me acode, que eu vou fazer uma desgraça!?
(Quem me sustenta, que eu vou fazer uma tolice?!) -
Esbarraste, em cima da cama em que caíste,
com a perfeita máscara cinzenta que lá te estenderam...
Tens os ossos frios agora,
tens a alma fria e de fora,
tens nas mãos o coração que te chora
e por dentro a carne que não sentes...
Vestes a pele que te deixaram.
E caminhas em direcção ao escritório do mundo.
Quase consegues cheirar a imortalidade ao fundo...
Mas não.
É só a tua cara que se enche de suor,
é só o apertar dos punhos que te estala os dedos.
São-te só os pés a caminhar para trás
e os olhos estacando-te quedos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Vós Os Que Rastejais:
Fazei-vos úteis.
Tornai-vos homens e mulheres.
Tende vergonha na cara.
E desaparecei...
Porque esta moral é minha.
Porque este chorar é meu.
Porque dizer assim não vinha,
se fosse vós e não eu.
Tornai-vos homens e mulheres.
Tende vergonha na cara.
E desaparecei...
Porque esta moral é minha.
Porque este chorar é meu.
Porque dizer assim não vinha,
se fosse vós e não eu.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Slalom Encarpado Com Desmaio À Retaguarda.
Que nervos, merda! Que nervos!
Sinto-os num estribilho, logo abaixo da minha pele.
O sangue ferve-me nas veias, disparado e borbulhante.
Ai a mola a disparar certeira!
Os jactos circulantes a revolverem-me os olhos.
Os dentes a apertar na mandíbula encravada.
Os passos curtos e atirados, enviezando a trajectória.
O desassossego galopante do meu corpo feito bala!
A cara apenas à frente, como rude camuflagem...
Como é triste, áspera e crua esta inquietação!
Como frustra e desorienta!
Como desespera e arrebenta toda a minha objectivação!
Como? Como? Como? Omo? Omo? Omo? Amo! Amo! Amo! Clamo! Clamo! Clamo! Exclamo! Exclamo! Exclamo! Reclamo! Reclamo! Reclamo! Declamo! Declamo! Declamo! Derramo! Derramo! Derramo! Desamo. Desamo. Desamo. Desarmo! Desarmo! Desarmo! Desisto... Desisto... Desisto... Resisto! Resisto! Resisto!
Luto!
Venço!
Vingo!
(Vão).
Caio.
Morro.
Esqueço.
Não.
Sinto-os num estribilho, logo abaixo da minha pele.
O sangue ferve-me nas veias, disparado e borbulhante.
Ai a mola a disparar certeira!
Os jactos circulantes a revolverem-me os olhos.
Os dentes a apertar na mandíbula encravada.
Os passos curtos e atirados, enviezando a trajectória.
O desassossego galopante do meu corpo feito bala!
A cara apenas à frente, como rude camuflagem...
Como é triste, áspera e crua esta inquietação!
Como frustra e desorienta!
Como desespera e arrebenta toda a minha objectivação!
Como? Como? Como? Omo? Omo? Omo? Amo! Amo! Amo! Clamo! Clamo! Clamo! Exclamo! Exclamo! Exclamo! Reclamo! Reclamo! Reclamo! Declamo! Declamo! Declamo! Derramo! Derramo! Derramo! Desamo. Desamo. Desamo. Desarmo! Desarmo! Desarmo! Desisto... Desisto... Desisto... Resisto! Resisto! Resisto!
Luto!
Venço!
Vingo!
(Vão).
Caio.
Morro.
Esqueço.
Não.
terça-feira, 29 de julho de 2008
A (In)Felicidade
É não fazer com que alguém se sinta mal.
É não destruir um sorriso com a bílis.
É não ser um verme de existência sem sentido.
É não se alimentar da energia do Homem.
É não agredir.
É não pisar.
É não desrespeitar.
É não magoar.
É não ser um filho da puta.
É um princípio e não um fim.
É não destruir um sorriso com a bílis.
É não ser um verme de existência sem sentido.
É não se alimentar da energia do Homem.
É não agredir.
É não pisar.
É não desrespeitar.
É não magoar.
É não ser um filho da puta.
É um princípio e não um fim.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Sonho Vão
Esmaga-me alguém as costas com pisadelas medonhas
Pontapeiam-me as costelas até
Cuspir sangue
Desmaio e
Vou parar ao hospital onde
Acordo já de pé
Dou um murro estilhaçante no chefe descoroçoado e
Respiro pesado como um pesado saco de areia a ribombar por coração
Apertam-me os pulmões e
Obrigam-me a gemer
Agito-me desconfortado e a
Rebentar de arreliação
Mergulho de novo no vácuo para
Escapar
Voo para o fundo negro amniótico da inusitada ilusão
Voo escarpa abaixo mente acima - consciência - sonho vão.
Pontapeiam-me as costelas até
Cuspir sangue
Desmaio e
Vou parar ao hospital onde
Acordo já de pé
Dou um murro estilhaçante no chefe descoroçoado e
Respiro pesado como um pesado saco de areia a ribombar por coração
Apertam-me os pulmões e
Obrigam-me a gemer
Agito-me desconfortado e a
Rebentar de arreliação
Mergulho de novo no vácuo para
Escapar
Voo para o fundo negro amniótico da inusitada ilusão
Voo escarpa abaixo mente acima - consciência - sonho vão.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Teatricalikaze
A luz acende sobre a cortina e todos se calam.
A música irrompe invadindo a sala.
Um ser pequenino espreita timidamente...
Tudo explode para cima do público, numa onda de energia que vaga a sala inteira, bate no fundo e volta para trás!
Lá em cima, o pequenino artista, "surfa" as cabeças dos espectadores, agora transformado num demónio invencível. Salta, canta, dança e faz o pino, urrando palavras e gargalhadas estridentes!
Devora e hipnotiza o ambiente. Destemido e confiante, parece um domador de leões!
Com as feras em sentido, manobra a sua arte e faz passar a todos, a sua mensagem.
Termina o seu número.
Retira-se lentamente do palco, depois de voltar as costas ao público, como o toureiro faz ao touro domado...
Ao ritmo dos seus passos marcados, a música, a luz, a máquina, desvanecem-se, parecendo querer segui-lo em silêncio. - Para onde irá, depois que volta à escuridão dos bastidores? A que cheirarão os buracos nas telhas e as marcas de humidade nas paredes? -
A cortina cai, e os leões, terminada a hipnose, voltam à vida, rugindo agora como se calhar, nunca.
De novo pequenino, reaparece aquele ser tímido e vulnerável.
Aproxima-se da ribalta e dos leões que rejubilam, ávidos por um pedaço da sua carne.
Ele, sem saber porquê, esboça um sorriso, e agradece...
A música irrompe invadindo a sala.
Um ser pequenino espreita timidamente...
Tudo explode para cima do público, numa onda de energia que vaga a sala inteira, bate no fundo e volta para trás!
Lá em cima, o pequenino artista, "surfa" as cabeças dos espectadores, agora transformado num demónio invencível. Salta, canta, dança e faz o pino, urrando palavras e gargalhadas estridentes!
Devora e hipnotiza o ambiente. Destemido e confiante, parece um domador de leões!
Com as feras em sentido, manobra a sua arte e faz passar a todos, a sua mensagem.
Termina o seu número.
Retira-se lentamente do palco, depois de voltar as costas ao público, como o toureiro faz ao touro domado...
Ao ritmo dos seus passos marcados, a música, a luz, a máquina, desvanecem-se, parecendo querer segui-lo em silêncio. - Para onde irá, depois que volta à escuridão dos bastidores? A que cheirarão os buracos nas telhas e as marcas de humidade nas paredes? -
A cortina cai, e os leões, terminada a hipnose, voltam à vida, rugindo agora como se calhar, nunca.
De novo pequenino, reaparece aquele ser tímido e vulnerável.
Aproxima-se da ribalta e dos leões que rejubilam, ávidos por um pedaço da sua carne.
Ele, sem saber porquê, esboça um sorriso, e agradece...
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