segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

sábado, 21 de março de 2009

Escreneidifoma Voltéril


A vertedíase é tão importante
quanto as gluniríades do hepistáclo.
Sem o síntrope de valírnio não há gnase.
E o mundo a sucumbir de ausências...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Poética Poesia

A poesia não é o tom afectado com que se diz "pô-ê-sia".
Não é.
Nem está nos sapatos italianos de pernas traçadas ou na écharpe fedendo a cigarros «slim».
Não está.
A poesia não é.
A poesia não está.
Porque não.
Porque a poesia poderá ser a única explicação restante que se basta com porque sim ou porque não.
Quiçá ela seja inteiramente todo o não ser e não estar.
Ou apenas a forma excelente de coisa nenhuma.
A poesia não sabe que é poesia.
Assim é e está.
Não sendo e não estando.
Para mim.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Os Dez Mandamentos do Fundamentalismo Teatral

1- O Teatro é o teu deus.

2- Não terás outras linguagens de representação como deus.

3- Não farás de ti nenhum ídolo.

4- Lembra-te de folgar pelo menos à segunda-feira.

5- Honra os teus mestres e professores.

6- Não matarás nenhum colega, por medíocre que ele seja.

7- Não adulterarás o texto que representas.

8- Não roubarás cena aos teus colegas.

9- Não levantarás falsos testemunhos no Teatro.

10- Não cobiçarás o papel do teu próximo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Título? ou noite púrpura

Anda
Eleva bem o meu pé e ajuda-me.
Quero hastear lá no alto
as palmas das minhas mãos.

Mergulha-me a cabeça no céu
enquanto agarro as estrelas cortantes.
Quero a chuva a passar-me ao lado
e o vento com o seu beijo mais frio.

É que esta noite quero voar.
Tenho saudades de Saturno
e das crateras sem fundo
que provocaram os seus anéis.

Esta noite não estou cá.
Esta noite é que estou cá.
Ó António Pedro! Quem foste tu?
Ninguém?..

Pescadores de estrelas!
Arpoadores de sonhos!
Degustadores de luz!

Vós sois comigo
as almas inacabadas do fim do mundo
que penduradas em coisa nenhuma
vamos buscando um fim.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sonho Ido ou a diletante comiseração

Não tenho tempo para a poesia.
O prazo termina em um dia
e eu, estou demasiado ocupado
a ocupar-me mais um bocado.

Estou-me tornando indistinto.
É quanto pelo menos sinto
no plexo dolente e enigmático:
que estou degenerando em pragmático.

Olhos quedos, baças luzes, lampejos
somente restam dos harpejos
que troei como ninguém.
O mais, vai e vem.

O devir, próximo passado,
reserva lento e indecifrado
a quota parte de Lua e de Sol.
O presente é que é esta coisa mole.

Esta coisa ensonada de roupão e chinelo...
Ah melancolia do Belo!..
Volta!, e contigo os beijos mordidos traz
Arranca e some de mim todalas cousas más!

Guia-me contigo no braço,
recolhe-me em teu regaço,
faz das minhas, queixas idas
e das más horas, horas queridas.

Fica no meu sorriso.
Sorri sem temor nem aviso.
Ama, amor esquecido
e (re)sonha-nos, sonho ido...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

La Palisse Vs. Marx

Quanto há no mundo do trabalho de puro e de bom, sem implacáveis invejas nem inconfessáveis vontades?
Quanto há nas coisas do ter e do poder, de realmente justo?
Ou quanto do sucesso de cada um se deve ao mérito?
E quanto não se deve?
E o que é que sobeja daí?
O que é que pensa aquele que sobe?
- Que merece ou que quer somente?
E aquele que cai?
Será que pensa ou apenas sente?
Será que se levanta?
-A queda pensa-se ou sente-se?-
Ao que parece, nada de tudo isto importa. E sendo tudo isso parte de todos nós, então nada de todos nós importa, porque nada ou nenhum de nós se parece importar com algo ou algum de nós, nós apenas e só nos parecemos importar com nós mesmos. E nada mais.