
Ínsua
Eu quis levantar os braços ao céu
e beber o Sol de frente
quis correr perdidamente
perder o equilíbrio e cair.
Eu quis rebolar no cheiro da erva
despir a camisola e lançá-la ao ar
quis assim quase nu rebolar
pelo chão do meu país.
E quis mergulhar no rio
provar da água no seu leito
eu quis ser o fugitivo perfeito
deste quotidiano quotidiano.
E quis afundar minhas mãos no lodo
sentir o seu abraço fétido
eu quis ser o homem intrépido
que apenas faz o que quer.
Eu quis tanto e quis tanta coisa
e supus que tudo era sentimento
ignorava aí o pensamento
que agora tão nitidamente me guia:
O de que tudo é vida e tudo é sonho
tudo é triste e quiçá risonho
todos magoamos e somos magoados
e todos triunfamos mas todos somos olvidados...
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