segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Os Dez Mandamentos do Fundamentalismo Teatral

1- O Teatro é o teu deus.

2- Não terás outras linguagens de representação como deus.

3- Não farás de ti nenhum ídolo.

4- Lembra-te de folgar pelo menos à segunda-feira.

5- Honra os teus mestres e professores.

6- Não matarás nenhum colega, por medíocre que ele seja.

7- Não adulterarás o texto que representas.

8- Não roubarás cena aos teus colegas.

9- Não levantarás falsos testemunhos no Teatro.

10- Não cobiçarás o papel do teu próximo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Título? ou noite púrpura

Anda
Eleva bem o meu pé e ajuda-me.
Quero hastear lá no alto
as palmas das minhas mãos.

Mergulha-me a cabeça no céu
enquanto agarro as estrelas cortantes.
Quero a chuva a passar-me ao lado
e o vento com o seu beijo mais frio.

É que esta noite quero voar.
Tenho saudades de Saturno
e das crateras sem fundo
que provocaram os seus anéis.

Esta noite não estou cá.
Esta noite é que estou cá.
Ó António Pedro! Quem foste tu?
Ninguém?..

Pescadores de estrelas!
Arpoadores de sonhos!
Degustadores de luz!

Vós sois comigo
as almas inacabadas do fim do mundo
que penduradas em coisa nenhuma
vamos buscando um fim.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sonho Ido ou a diletante comiseração

Não tenho tempo para a poesia.
O prazo termina em um dia
e eu, estou demasiado ocupado
a ocupar-me mais um bocado.

Estou-me tornando indistinto.
É quanto pelo menos sinto
no plexo dolente e enigmático:
que estou degenerando em pragmático.

Olhos quedos, baças luzes, lampejos
somente restam dos harpejos
que troei como ninguém.
O mais, vai e vem.

O devir, próximo passado,
reserva lento e indecifrado
a quota parte de Lua e de Sol.
O presente é que é esta coisa mole.

Esta coisa ensonada de roupão e chinelo...
Ah melancolia do Belo!..
Volta!, e contigo os beijos mordidos traz
Arranca e some de mim todalas cousas más!

Guia-me contigo no braço,
recolhe-me em teu regaço,
faz das minhas, queixas idas
e das más horas, horas queridas.

Fica no meu sorriso.
Sorri sem temor nem aviso.
Ama, amor esquecido
e (re)sonha-nos, sonho ido...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

La Palisse Vs. Marx

Quanto há no mundo do trabalho de puro e de bom, sem implacáveis invejas nem inconfessáveis vontades?
Quanto há nas coisas do ter e do poder, de realmente justo?
Ou quanto do sucesso de cada um se deve ao mérito?
E quanto não se deve?
E o que é que sobeja daí?
O que é que pensa aquele que sobe?
- Que merece ou que quer somente?
E aquele que cai?
Será que pensa ou apenas sente?
Será que se levanta?
-A queda pensa-se ou sente-se?-
Ao que parece, nada de tudo isto importa. E sendo tudo isso parte de todos nós, então nada de todos nós importa, porque nada ou nenhum de nós se parece importar com algo ou algum de nós, nós apenas e só nos parecemos importar com nós mesmos. E nada mais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

De Luar Vestido

Meu amor, porque não ris?
Porque pões em causa todo o meu acto?
Sabes que fazer rir não é como se diz
e também... Não é meu o fato.

Oh minha flor, porque estás triste?
- Porque não sei fazer de Lua?...
Saio já de braços em riste
e vou comprar uma na rua!

Não queres? - Sou pateta?!
Oh pesarosa constatação!
Se não posso ser poeta
de quem me tem o coração!...

Por ti, entregaria o que fosse preciso:
Até os luares da minha meninice!
Pelos teus risos daria o juízo
e por teus lábios quanto conseguisse!

Eu sei que o luar não se vende...
E nem tendo eu a Lua por prima...
Fugiu do céu mas decerto se arrepende
de te ver triste e olhando para cima...

Oh Lua, se tens coragem!
Vem cá fazer sorrir a minha menina!
E toma lá a tua inútil roupagem
que me emprestaste para a pantomima!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Dos Sonhos Idos

Apanharam-te.
E encerraram o teu passo de miúdo no castelo das pedras gotejantes.
Mataram-te.
E à míngua de sonho, amor e fé, te deixaram esquecido, onde nunca estiveras antes.
Passaram-te a mão na nuca e afagaram a tua já cadáver vontade.
Disseram-te que não importa, que aprenderias com a idade.
Aturaram a tua revolta e puseram-te compressas na dor.
Alguém te ofereceu uma flor...
Tudo calmamente,
tudo irrealmente,
tudo perfeitamente, como se tu nada visses!
Tudo vomitadamente, como se tu não sentisses a raiva a gangrenar-te o peito!
- Quem me acode, que eu vou fazer uma desgraça!?
(Quem me sustenta, que eu vou fazer uma tolice?!) -
Esbarraste, em cima da cama em que caíste,
com a perfeita máscara cinzenta que lá te estenderam...
Tens os ossos frios agora,
tens a alma fria e de fora,
tens nas mãos o coração que te chora
e por dentro a carne que não sentes...
Vestes a pele que te deixaram.
E caminhas em direcção ao escritório do mundo.
Quase consegues cheirar a imortalidade ao fundo...
Mas não.
É só a tua cara que se enche de suor,
é só o apertar dos punhos que te estala os dedos.
São-te só os pés a caminhar para trás
e os olhos estacando-te quedos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vós Os Que Rastejais:

Fazei-vos úteis.
Tornai-vos homens e mulheres.
Tende vergonha na cara.
E desaparecei...

Porque esta moral é minha.
Porque este chorar é meu.
Porque dizer assim não vinha,
se fosse vós e não eu.